sexta-feira, 27 de abril de 2012

Eu perdi. O ponto de partida, sabe? Lá no começo eu tinha vontade de vencer. Mas durante essa corrida contra o tempo, acabei perdendo o fôlego. Me sinto mal, poxa. É aquela dorzinha no peito, aquela falta estranha de ar.Cassete, é tudo. É o centro da terra se deslocando. Eu, perdendo o meu eixo. Eu, perdendo o meu eu interior. Eu, sofrendo de repente… Por algo. Algo que eu não sei. Talvez sejam as lembranças do passado. O sofrimento diário. Pode ser a carência, a falta de amar e ser amada. Na verdade, eu me perdi. Perdi a doce jovem contida dentro de mim, que não tinha medo de quedas nem da Dona Dor. Atualmente, o medo está dominando a parada. Tá marcando o seu ponto. A dor está me esfaqueando continuamente. As lágrimas estão sendo mais frequentes que sorrisos. Eu estou tentando. Estou gritando: “Ajudem, ajudem! Estão me vendo aqui, ferida?” É uma prece inútil.Já me contaram faz tempo que só eu posso realmente me ajudar. Você nem ninguém pode. Um empurrãozinho sim, né. Agora, ninguém conseguiria entrar em mim como um espírito bonzinho pra tentar arrancar feridas dolorosas. Porque feridas não são como matéria que aparece e some de repente. São invisíveis. A felicidade agora se tornou uma espécie de fantasma. Difícil de ver e de acreditar. A tristeza, ah… Eu nem quero pensar nela. Se eu pensar, vou me lembrar de como estou triste agora e isso vai ferrar comigo.Mais do que eu estou ferrada não dá pra ficar, né? Dá sim. Não há limites para sofrimentos, mas a alegria vive pondo limite em minha vida. São amores fracassados, entes queridos que se foram, buracos que amigos deixaram. Porra, alguém aí tem linha ou agulha para costurar o que restou desse coração? Esse coração de merda e completamente infeliz, que não soube se proteger dos males? Que não deixou o cérebro comandar a situação? Alguém tem um band-aid, para ver se consigo cobrir essas escaras terríveis? São muitos ferimentos para uma pessoa só, viu? Alguém tem um merthiolate, daqueles que não ardem, para que essas feridas não possam infeccionar? Alguém tem um lencinho para enxugar meu rosto? Do jeito que estou chorando,  tá difícil. Alguém pode me emprestar um pouco de sorte? Só um pouquinho. E me dá uma xícara, uma colherada ou uma dose – tanto faz – de força. Força para não desmoronar que nem pico de morro quando dá enchente. Para não desabar num canto qualquer e desistir. Alguém me dá uma mãozinha? Eu sei que de início não parece valer a pena ajudar alguém num mundo onde muitos são egoístas, mas sei lá… Do jeito que estou, não dá pra ficar. É como se estivesse comprando um bilhete para uma montanha russa. E essa montanha, tão perigosa, pode me matar. Pois é assim que sinto, às vezes. Morta por dentro. A vela apagada. A luz queimada que ninguém  se ofereceu para trocar. A ferida grave que ninguém quis curar. A planta murcha e seca, que nunca foi regada. A filha vento. Ou seja, uma brisa que vaga para lá e pra cá. Sem destino… Sem nada

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